Filipa Marques — Coaching e PNL

O medo por trás do jogo: Quando a ansiedade competitiva exige um plano de ação

Alta Performance7 min de leituraFilipa Marques

«Estou bem preparado, então porque é que fico assim?» É uma das frases que mais oiço. A ansiedade competitiva raramente tem uma única causa, na maioria dos casos, vários fatores acumulam-se até pesar mais do que deviam. E conhecê-los é precisamente o que permite trabalhá-los.

Porque aparece a ansiedade competitiva?

O atleta raramente teme apenas o erro. Teme aquilo que acredita que o erro vai provocar: perder a titularidade, desapontar alguém, ser criticado, falhar uma oportunidade, prejudicar a equipa ou confirmar, lá no fundo, que «não é suficientemente bom». Quando as consequências imaginadas são enormes, uma ação normal do jogo passa a ser vivida como um teste ao valor do atleta.

A este medo somam-se, muitas vezes, expectativas a mais. Podem vir do treinador, da família ou dos adeptos, mas também de dentro: há atletas que não entram para fazer uma boa competição, entram com a obrigação de não errar, de se destacarem de imediato e de provarem que pertencem àquele nível. E quanto maior a obrigação de provar, menor tende a ser a liberdade para jogar.

A confiança também conta. Em vários estudos, níveis mais elevados de ansiedade competitiva aparecem associados a menor autoconfiança. Mas atenção: falta de confiança não é falta de capacidade. O atleta pode ter toda a competência técnica e física e, ainda assim, não confiar que a consegue usar naquele contexto específico.

Depois há a memória. Uma queda, uma falha decisiva, uma lesão, uma substituição ou uma crítica pública podem ficar coladas a determinado contexto. Quando uma situação semelhante regressa, o cérebro antecipa a repetição, o atleta não está apenas a responder à competição de hoje, está a responder ao que aconteceu antes.

Por fim, o ambiente. Mensagens como «hoje não podes falhar», «tens de mostrar o teu valor» ou «toda a gente está a contar contigo», mesmo quando querem motivar, podem ser lidas como «o meu valor e a aprovação dos outros dependem do que acontecer hoje». E quando a identidade fica demasiado dependente do resultado, há uma diferença enorme entre pensar «falhei nesta competição» e concluir «sou um fracasso».

No primeiro caso, o atleta avalia um desempenho. No segundo, transforma o resultado numa definição de identidade.

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Afinal, é normal sentir ansiedade antes de competir?

É. Competir implica exposição, incerteza e ausência de controlo total, o atleta não controla o adversário, a arbitragem, o resultado, a avaliação dos outros nem todas as sensações que vão surgir no corpo. Uma certa dose de tensão é, por isso, expectável. O problema não está em sentir; está na intensidade, na frequência e na interferência que provoca.

Quando a ansiedade merece mais atenção

Vale a pena olhar com mais cuidado quando a ansiedade surge em praticamente todas as competições, condiciona repetidamente o rendimento, leva o atleta a evitar competir, interfere com o sono ou a alimentação, provoca sofrimento intenso, se prolonga para além do desporto, inclui episódios de pânico ou afeta a vida escolar, profissional ou familiar.

Ainda assim, nem todo o nervosismo antes de uma competição é um problema clínico. A ansiedade competitiva pode ser situacional, limitada ao contexto de rendimento. Uma perturbação de ansiedade envolve critérios próprios, intensidade, persistência, sofrimento e impacto no funcionamento da pessoa, e essa distinção é especialmente importante quando os sintomas se estendem a outras áreas da vida.

Quando procurar apoio especializado

O trabalho de preparação mental ajuda o atleta a compreender os seus padrões, a regular a ativação e a competir com mais liberdade. Mas, quando os sintomas são intensos, persistentes ou generalizados, pode ser necessária a avaliação de um psicólogo ou de outro profissional de saúde habilitado. Procurar apoio não é sinal de fragilidade, é a mesma lógica de quem trata uma lesão física antes que ela se agrave.

Acumular técnicas para usar nos minutos antes de competir pode dar algum alívio, mas não substitui um trabalho estruturado. Quando o problema se repete, é preciso perceber o que o atleta interpreta como ameaça, para onde desloca a atenção e como isso mexe com o comportamento. É esse padrão individual que se trabalha no acompanhamento mental, antes de voltar a aparecer num momento decisivo.

Se quiseres aprofundar, a ansiedade competitiva é explorada em vários episódios do podcast INVISÍVEL, nomeadamente em «Pressão na Competição», «O Que Acontece no Teu Cérebro Quando Mais Precisas de Render» e «Fantasmas Têm Medo de Sorrisos», sempre a partir de situações concretas do contexto competitivo.

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